CANÇÃO DE NINAR

Hoje vou cantar bem baixinho, uma canção de ninar.

Se eu chorar, vou lembrar que sou só um menino crescido

sussurrando em seu ouvido, falarei meu segredo fingindo que

nada mais me traz medo.

Vou nessa busca viajar, na procura de meu espaço no céu,

em deslumbre de estrelas abrir obscuro véu.

Em poucos minutos de paz se cansar da eternidade,

na carona de um cometa achar retorno, em anos-luz da felicidade.

E ao abrir esse portal, na brevidade vou espiar o germinar da semente,

campos de papoulas em sangria vital no entorpecer de todo mal.

No distorcer de uma mente alienada, cego e louco,

no pranto uma virtude desenhada.

E os girassóis são brancos e, no entanto não perdem seu encanto.

Não se pode controlar a ampulheta do tempo,

quando o cristal se quebra a areia tende a se espalhar.

Seres em pedaços, cacos que ferem as mãos,

vento espalha pequenos grãos na longitude do coração.

Não pode haver um paraíso com muralhas barrando sentimento,

em voz que clama, alguém lhe ama nesse momento.

Assim se escreveu no feito, a perfeição é entender que

nada é perfeito!

Canto essa canção ou apenas sinto dor a dilatar ausência sem pulsação.

Por amar vou cantar, na presente letra da saudade uma afetiva

canção de ninar.

BADU